segunda-feira, 12 de outubro de 2009

GOL 9030






Rio de Janeiro 9 de Outubro 18H00.

Estava tudo a correr tão bem. Luanda tinha ficado para trás e até que não tinha corrido mal a abalada. A tenda-aeroporto até que funcionou, por incrível que pareça. Sem dormir desde que saí de Benguela não sentia muito cansaço. Só queria fazer o check-in na GOL e livrar-me da mala preta, entrar no duty free e perder a cabeça por uns minutos. Isso consegui.
Já sem o peso da mala pensei estar a 2 horas de ver a miúda e a conhecer a família. Nada de mais errado. Começou aí um filme que demorou 13 horas!

tim tim tim… senhores passageiros, informamos que por condições climatéricas adversas os voos podem ser cancelados ou sofrer atrasos significativos… tim tim tim…

Confesso que estremeci um pouco quando pensei no que aquilo poderia significar. Para quem não sabe a GOL comprou o que restava da VARIG. Para alguns isto bastava para nem sequer continuar a ler, tal é a má fama que tinha a antiga companhia mas agora, de cara lavada e com a maior frota do país, exigia-se muito mais. Em África estamos habituados a não ter direitos nem poder fazer exigências mas nas Américas não achava que tal fosse possível.
Começamos então a invadir o balcão de informações. Escrevo no plural porque uni-me a uma massa de pessoas indignadas que pareciam saber mexer-se. Os poucos funcionários disfarçaram o fim do turno e foram embora deixando os computadores ligados para que nós, se quiséssemos, tirássemos as próprias dúvidas. Nunca tal foi visto nas Américas! Depois tentámos invadir um embarque para salvador. Conseguido… porém depressa fomos expulsos pelos seguranças. Cheguei mesmo a estar sentado a fingir um bom soninho mas a frase “senhor, posso verificar o seu cartão de embarque?” estragou tudo… saí com a sensação que não iria correr bem.
A partir daí e já com o voo cancelado foi cada um por si. Aquele grupo separou-se e começou o real sarapatel e vozearia.
Sei que consegui mais 3 cartões de embarque até às 4H50 já do dia seguinte. Todos cancelados e, como se não bastasse, com intrujices e mentirinhas.
Já derrotado e sem fôlego ligo a cobrar pela enésima vez à Cláudia (já com 20 e tal números decorados…) para desabafar e aliviar a tensão. Coitada... teve de aguentar o meu humor de aeroporto, com fome, cansaço e falta de paciência. Não deve ser fácil. Desculpa querida

Cancelaram de novo o voo. Vão mandar-nos para um hotel. Beijo.

Não fui. Aquela massa de gente voltou a organizar-se e havia uma réstia de esperança. Um voo às 5 e tal para Salvador que, diziam, sobrava espaço… errado! Foi aquela gota a mais… entro em histeria e, como quem chora normalmente mama mais… sou acalmado por um gajo da GOL que me promete uma ligação para Salvador às 7.11 no voo GOL 1888. Uma condição... ningúem podia saber. Ridículo mas claro que aceitei.
Demorou mais 2 horas para largar de novo a merda da mala e entrar no embarque. O embarque mudou de porta 3 vezes e o voo atrasou mais 1 hora. Cheguei às 11H30 já sem cor e a arrastar o pezinho. Caramba! Gol nunca mais… só dia 27 de volta para o Rio!

2 comentários:

  1. bem, que estória!!!! imagino, já devias estar doido!!!

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  2. foi um martírio... nem em áfrica! T.I.L.A. (This Is Latin America)

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